segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Sempre existe um fim, no melhor momento, nas emoções,  dentro de nós, ou lugar, fica apenas as lembranças. By Julliet Barzilik 
"Eu gostava mesmo era dos dias frios. Gostava de quando ele descia sorrateiro da cama, em um gesto velado para que eu não acordasse e me deixava em meio ao calor do seu corpo ausente. Gostava da sensação de falta que o frio trazia lentamente entre as cobertas, quando a cama insistia em mostrar que minha companhia agora era o travesseiro. Gostava de fazer de conta que dormia e espiar ele andando a passos leves pelo quarto. Gostava da sutileza com que colocava os velhos chinelos de lã, da destreza com que procurava temporariamente calor em outro lugar; e com os pés escondidos do frio ele passeava pela casa, e na sua ausência eu apenas observava. Eu via seu corpo ouriçar-se aos poucos e via-lhe vestir o manto que o frio tece. Depois de alguns minutos, de algumas visitas, ao banheiro, a cozinha, ele voltava e com a mesma destreza e sutileza deitava ao meu lado ainda vestido de frio, me beija a testa, sussurava um "bom dia" e depois aos poucos ia se despindo de frio e se ornando de calor que me envolvia, e assim começavam sempre os melhores dias..."
 
A/D

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